sábado, julho 29, 2006

Limites e Liberdade.

Para quem tem filhos como eu por exemplo há sempre a tendência de sermos ou nao demasiadamente inflixiveis em determinados momentos. Ao propormo-nos a explicar o que são limite e liberdades proprias nao podemos esquecer que tivemos a dada altura a idade que eles hoje possuem. Muitas vezes por fruto de muitas vidas que levamos e formas educacionais que tivemos, utilizamos de certa forma, directrizes umas vezes de liberdade total mas vigiada, outras vezes de regras e limites para essa mesma liberdade. Mas afinal dar ou facultar a uma criança liberdade estamos nós a solta-la para descobrir tudo a seu tempo ou estamos a limita-la dentro dessa mesma liberdade?
Educar para os limites é submeter a graves riscos os jovens e adolescentes. A idéia que está por trás dos limites é que a liberdade é um fim e não um meio. Diz-se: “o jovem é livre, mas não deve ultrapassar o limite”. Falso. O jovem deixa de ser mais livre quando faz o que quer dentro de determinadas fronteiras. O jovem exercita melhor a sua liberdade quando escolhe dar o melhor de si, quando aspira à excelência humana, quando aspira a coisas grandes.Quando na curiosidade do seu ser e actividade normal procura e aprende tudo em seu redor.
A liberdade é um meio e não um fim. Um meio para poder fazer coisas maravilhosas ou arruinar-se como pessoa humana. Quando se faz da liberdade um fim o jovem e o não jovem torna-se um escravo da própria liberdade. É livre mas não sabe o que fazer com a liberdade.
Não é mais livre o jovem que fica ás voltas em torno dos precipícios sob o risco iminente de cair e bater a cabeça nas rochas ou morrer afogado. É mais livre quem usa a liberdade como um meio para construir coisas na ilha. Quem edifica uma casa para viver, quem se diverte subindo a uma montanha, quem cultiva uma horta que produz frutos... Ou seja, quem tem um projeto de vida atraente, seja no terreno científico, artístico, cultural, esportivo, etc.

A diferença entre educar para a liberdade como fim e como meio está em ter um projeto vital. Cada pessoa é diferente e precisa encontrar seu lugar no mundo. Educar é conduzir para fora o melhor de cada um. A missão do educador é descobrir o que há de melhor em cada pessoa e estimular as crianças para que cultive os seus melhores dons. Isso supõe saber que há um melhor e um pior, ou seja que há projetos vitais que tornam felizes as pessoas, e modos de vida que escravizam e tornam infelizes os outros.
Em qualquer caso, o educador (pais) precisa de saber mostrar aos jovens quais as melhores aspirações que podem cultivar. A liberdade é um dom que pode frutificar ou perder-se, mas nunca um fim em si.

A educação, por essa razão, não é apenas fixar limites, mas orientar em direção a metas de excelência e objetivos no uso da liberdade. Não é impor ou coagir a liberdade, mas canalizar a liberdade de modo que frutifique em benefício dos outros e da própria pessoa.
A criança, o jovem e o adolescente precisam sempre de uma orientação para se tornarem adultos e poder empreender por si a própria vida. É uma arte complexa e delicada. Cada pessoa é diferente. Orientar é ir soltando a linha até que um dia os filhos, os alunos enfrentem o mar sozinhos, por conta própria, com segurança e confiança. Em muitos casos o rumo que os filhos tomam na vida não é responsabilidade dos pais, mas os pais têm obrigação de educar os filhos. Portanto aqui também a egigência e a forma como os pais podem entrar em consenso de ideias e bases para os filhos é importantissimo.
A educação que apenas fixa limites ou estabelece regras sistemáticas não parece ser a melhor receita educativa para o desenvolvimento da personalidade dos filhos.

Os pais precisam dominar a inquietação que sentem por eles e deixá-los realmente livres como pássaros a sair do ninho, mas amparando-os; devem compreender os seus anseios, mas prontos a recebê-los outra vez nos braços quando for preciso.

Ás vezes o maior problema não reside nos filhos...mas sim nos Pais!

Bruno Fernandes

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